"NÃO DE FORMA ESNOBE OU PRETENSIOSA, MAS A ARTE SEMPRE ESTEVE ALI — PARTE DA MINHA VIDA COTIDIANA, ALGO QUE REALMENTE AMO."
Sonia Morales, artista de Madrid observa o mundo da maneira mais bonita possível.
Desde os detalhes do desfile da Dior, a etiqueta desenhada de um casaco da Prada até os objetos mais comuns — e muito estéticos que ela leva na bolsa, a pintora retrata o seu dia a dia com harmonia.
Como você se descobriu artista?
A verdade é que pinto desde muito jovem, então sempre vi isso como parte de quem eu sou. Não de forma esnobe ou pretensiosa, mas como algo que sempre esteve ali — parte da minha vida cotidiana e algo que eu realmente amo.
Qual papel a moda desempenha na sua vida pessoal?
Ela faz parte do meu cotidiano. Não apenas no sentido literal — todos nós nos vestimos. Mas a moda nos conecta ao que está acontecendo ao nosso redor, à sociedade, à política, à forma como vemos o mundo. Ela me ajuda a enxergar um pouco mais longe, e eu sempre tento continuar aprendendo e buscando novas referências.

"MODA ME CONECTA COM A SOCIEDADE, COM A POLÍTICA, COM A FORMA COMO VEJO O MUNDO... ME AJUDA A ENXERGAR ALÉM."
Você se considera alguém com um guarda-roupa minimalista ou gosta de arriscar?
Para mim, é bem minimalista. Alguns amigos diriam que há algumas peças mais ousadas, mas no geral parece discreto e atemporal — o que eu adoro.
O hiper-realismo, como você explora, sugere uma alta definição que às vezes vai além da fotografia. Com esse seu flerte com o objeto observado — que são materiais de moda — você já pensou em ser fotógrafa?
De certa forma, venho descobrindo esse lado de mim — não como fotógrafa profissional, claro, mas é algo pelo qual desenvolvi um verdadeiro amor nos últimos anos. Todas as minhas pinturas partem de uma fotografia, e muitas vezes sou eu mesma quem faz essas imagens. Mesmo fotografando geralmente com o celular, percebi o quanto treinei meu olhar — em termos de composição, enquadramento, cor…

Existiu algum momento decisivo que mudou a forma como você vê a arte?
Houve um momento que mudou não a minha maneira de ver a arte, mas a forma como enxerguei o papel que ela teria na minha vida. Foi quando recebi minha primeira encomenda, depois daquilo cada vez mais pessoas me incentivaram a me dedicar à arte.

Se você não fosse artista, que profissão acha que teria seguido?
Estudei Design e Gestão de Moda e trabalhei como stylist até meados do ano passado, quando decidi me dedicar totalmente à pintura. Sem dúvida, se não estivesse fazendo isso, ainda estaria trabalhando como stylist ou em outra função criativa na indústria da moda.
Se você pudesse conversar com qualquer artista da história, quem seria e sobre o quê?
Eu adoraria conhecer melhor a perspectiva de artistas mulheres sobre o seu tempo, como Maruja Mallo ou Isabel Quintanilla. Elas são duas pintoras espanholas do início e do final do século XX. Tenho muito interesse em entender como elas viam a arte e o mundo em um período tão crucial, cheio de transformações para a sociedade e, especialmente, para as mulheres.
Além da moda, o que mais influencia a sua arte?
Eu me inspiro na vida cotidiana e em objetos comuns. Minhas pinturas estão cheias de itens pessoais do meu dia a dia, como os fósforos que guardei de uma viagem a Paris há quatro anos, a Vaselina que uso desde a infância, a câmera que sempre carrego comigo ou até as chaves do meu apartamento. Estou sempre fotografando as coisas ao meu redor — o que está na minha bolsa, objetos que chamam minha atenção, refeições… Essas imagens depois servem como guia quando componho aquelas que mais tarde vou pintar.
*imagens cedidas pela artista.
@sonia__morales
